19 de dezembro de 2004

ANÚNCIO A MARIA - Lc.1:26-38

26. No sexto mês, foi enviado da parte de Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Galiléia,
chamada Nazaré,

27. a uma virgem prometida a um homem que se chamava José, da casa do David, e o
nome da virgem era Maria.

A comunicação do anjo a Maria ocorre seis meses após a concepção de Isabel. O mensageiro é o mesmo que falou a Zacarias, isto é, Gabriel. No entanto, o fato não mais ocorre em Jerusalém, sim numa cidadezinha desconhecida da Galiléia, Nazaré, onde morava uma mocinha que estava noiva.

A cidade de Nazaré só nos é conhecida através das citações dos Evangelhos. Nem no Velho Testamento, nem em nenhum autor profano aparece esse nome. Também não o temos escrito em hebraico, mas apenas sua transcrição para o grego, e com seis variantes: Nazaré, Nazaret, Nazareth, Nazará, Nazarat e Nazarath.

Lucas frisa com insistência que Maria não estava ainda casada: era noiva, ou seja, "prometida" (em grego ŬµíçóôåõµŬíç - NOTA: Por falta de "fonte" no idioma grego, o Word não transcreveu a palavra como consta no original que poderá ser consultado na Seção "Arquivos" deste Grupo, em PDF. -Nota do Moderador do Grupo, Ruach Kadosch -, particípio aoristo 2º do verbo µíåóôåŭù -Vide Nota anterior -, que tem o sentido de "prometer em casamento ou "contratar matrimônio"). O matrimônio só se completava quando a noiva ia morar na casa do noivo, que então se tornava marido. Tanto que Lucas só dá a José o título de "pai", quando fala da apresentação de Jesus ao Templo (Luc. 2:33,41,43 e 48).

Entre os judeus, porém, desde que se contratava o casamento, a noiva era considerada ligada ao noivo de tal forma, que um erro dela era catalogado como adultério (Deut. 22:23).

Todo o nosso sistema terráqueo está constituído na base setenária. Não se trata de misticismo nem de cabalismo, é uma verificação fácil de fazer-se. Conhecendo os antigos esse fato, todos os acontecimentos e o simbolismo eram baseados no número sete.

Como o sete era a etapa final, o penúltimo passo representava-se pelo número seis. Daí lermos "no sexto mês". Isto significa que o símbolo que vai ser dado aos leitores, exprime a penúltima etapa dessa fase do desenvolvimento.

Nessa penúltima etapa, o discípulo acha-se preparado e o mestre aparece, o "homem de Deus", Gabriel, a fim de anunciar-lhe a última etapa.

O aparecimento do "anjo" ou "anunciador" dá-se na Galiléia, a "região cercada" do íntimo da criatura. A cidade tinha o nome de Nazaré. Que o nome constitui um símbolo, compreendemo-lo por não constar ter havido, na época, nenhuma cidade real com esse nome. A palavra "Nazaré" parece derivar-se do radical hebraico Nâzir, que significa "separado, consagrado", ligando-se ao nazireado instituído por Moisés (Núm. cap. 6º).

Vemos, pois, que o "mestre aparece no lugar separado da região cercada", ou seja, no CORAÇÃO, falando através da voz silenciosa.

Anota o evangelista que a aparição se deu "a uma virgem", e que ela estava "prometida a um homem". A intuição está sempre ligada ao intelecto. E, mormente quando no caminho espiritual, quase sempre se filia a uma pessoa humana, que a guia, intelectualmente, pela estrada da evolução.

O sentido da palavra José "(Deus) acrescenta", ou seja, "Deus dá por acréscimo de misericórdia", coincide com o título "filho de David", já que David significa "o Amado".

Daí compreendermos que o intelecto, quando se dedica às coisas divinas, aos estudos das realidades espirituais, se torna "amado", e a ele "Deus acrescenta" sabedoria. Isto, não por privilégios, mas por simples efeito de sintonia vibratória: se um rádio é sintonizado com uma estação transmissora, recebe-lhe as ondas não por "predileção" da estação, mas porque as condições de sintonia favoreceram a receptividade. Deus dá igualmente (infinitamente) a todos, mas cada um recebe segundo sua capacidade. No oceano divino vogam o pequeno caíque e o grande transatlântico, mas cada um mergulhando de acordo com o calado de sua quilha.

A conversa de Gabriel com Maria difere da havida com Zacarias. Com este, temos a representação do "mestre" que fala ao intelecto, suscitando dúvidas (segundo a característica própria do intelecto).

Com Maria, temos a representação do "mestre" que se dirige à intuição, e é aceito, porque a intuição "sente" a verdade da manifestação.

28. Aproximando-se dela, disse-lhe: “Alegra-te, altamente favorecida, o Senhor é contigo”.

29. Ela, porém, ao ouvir essas palavras, perturbou-se muito e pôs-se a pensar que saudação
seria essa.

FIGURA "Anúncio a Maria" (Nota- O Word não transcreveu o desenho. Os interessados em ver a belíssima ilustração poderão acessar o original, em PDF, na Seção "Arquivos" deste Grupo. Nota de Ruach Kadosch, Moderador do Grupo).

A saudação do anjo a Maria é concisa. A fórmula grega ×áßñå (vide original em PDF, Nota do Moderador) significa "alegra-te". Observe-se que, na saudação, os gregos auguravam alegria, enquanto os orientais desejavam paz (shalôm) e os latinos faziam votos de saúde (salve, ave, vale).

O perfeito grego êå÷áñéôùµŬíç (vide Nota anterior) indica a posse permanente (não transitória) de graça, de perfeição, de beleza, tanto física quanto moral. Usado na saudação de Gabriel, em tom de vocativo, esse perfeito assume quase o papel de um adjetivo substantivo: "ó perfeitíssima", "ó altamente favorecida", que a vulgata interpretou "cheia de graça".

A seguir uma afirmativa: "o Senhor está contigo". Não se trata, como em Rute (2:4) do desejo de que "o Senhor esteja contigo", mas de uma afirmação categórica a respeito de um fato conhecido por Gabriel.

Maria perturba-se não tanto pela presença de um homem jovem a seu lado (e Gabriel devia apresentar extraordinária beleza física), mas pelas palavras de saudação proferidas por ele, por aquele elogio inesperado da parte de um estranho.

A mente transmite sempre com imensa alegria, quando anuncia a presença divina dentro da criatura: "o Senhor está (é) contigo", vive dentro de ti, habita em ti, é a vida que pulsa em ti. Quando o homem ouve essas palavras silenciosas dentro do coração, invariavelmente se perturba: que palavras estranhas são essas, dirigidas a criaturas tão cheias ainda de defeitos?

A voz íntima, no entanto, diz a todos: "alegra-te, filho de Deus, és altamente favorecido pela divindade, pois Deus habita em ti"!


30. Disse-lhe o anjo: “Não temas, Maria, pois conquistaste benevolência da parte de
Deus,

31. e conceberás em teu ventre e darás à luz um filho a quem chamarás JESUS.

32. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono
de seu pai David,

33. e ele reinará no futuro sobre a casa de Jacob, e seu reino não terá fim.


Gabriel exorta Maria a não temer porque ela "conquistou a benevolência de Deus".

O anjo não se apresenta a Maria dando nome e posição como o fez com Zacarias. Ao evangelista basta revelar que o mensageiro foi o mesmo nos dois casos.

Conquistar benevolência é expressão já muito usada no Velho Testamento, com as palavras "achar graça" (cfr. Gn. 6:8; Êx. 33:12; Juízes, 6: 17).

O anúncio da próxima maternidade de Maria é feito com expressões semelhantes às que foram ditas por outros espíritos, para anunciar o nascimento de Ismael (Gn. 16:11) e de Sansão (Juízes, 13: 3-5).

O nome que o anjo impõe é JESUS (em hebraico IEHOSHUA', que se Abrevia, mas que também pode transliterar-se, com o sentido de "Iahô salva". Na previsão de Isaias, era-lhe dado o nome de HIMMANU-EL, isto é, "Deus conosco".

"Jesus", diz o anjo "será grande, será chamado de Filho do Altíssimo", título que era dado aos reis na antiguidade (cfr. 2º Reis, 7:14 e 1 Crôn. 22: lC).

O menino receberá o "reino de David", que ele ocupará "no futuro", e seu reino "não terá fim". A palavra grega utilizada tem o mesmo sentido que seu derivado latino "aevum" (em português "evo", ou seja século, uma "vida") e era empregado no sentido lato de futuro, e não no de "eterno". Eterno é o que não tem princípio nem fim. Além disso, a segunda parte do versículo esclarece bem a idéia, quando diz "e seu reino não terá fim". Se a palavra "aiónas" tivesse o sentido de "eterno", não havia razão para a segunda parte do versículo, nem mesmo invocando-se a técnica da repetição, na poesia hebraica.

Com Zacarias, o anjo se apresenta, porque o intelecto quer saber de tudo, pede "credenciais"; ao passo que a intuição não repara no intermediário: sente a verdade em suas palavras, não lhe interessando quem a diz, mas sim o que diz.


A resposta do "mestre" à indagação aflita da criatura que, humildemente, se julga indigna de receber tão grande graça - embora não duvide da própria graça - vem trazer maior certeza da realidade: "conquistaste benevolência da parte de Deus". Não é, propriamente, o "merecimento", no sentido de haver a criatura dado algo mais do que devia, com isto merecendo uma recompensa, ou "comprando" a benevolência. Não. Trata-se da sintonia natural da criatura, que lhe possibilita receber as emissões (a benevolência) divinas, dadas a todos indistintamente: bons e maus, sábios e ignorantes, santos e criminosos. E essa sintonia é obtida pelo que a criatura É (não pelo que sabe, nem pelo que faz).

Tendo conseguido essa sintonia, a criatura pode "conceber em seu ventre" (recebe em seu coração) um "filho", que é sua "salvação": JESUS, isto é, Iahô salva. Esse "nascimento" é uma expressão que usamos por falta de outro vocábulo mais exato. Assim como, ao nascer, a criança aparece, é vista, tocada e sentida (embora não tenha começado a existir nesse momento, pois inclusive seu corpo já existia no ventre materno), assim também o "nascimento" da Centelha Divina ou do EU Supremo consiste apenas na verificação de nossa parte de que ele existe. Realmente ele já existia dentro de nós, mas ainda oculto e não sentido. Ao revelar-se, ao tornar-se "sensível", nós dizemos que ele "nasceu": isto é, que se manifestou; quando nós o DESCOBRIMOS, dizemos que ELE NACEU...

Esse EU Supremo será grande e é o Filho do Altíssimo porque é a Centelha que emanou Dele (do Foco Incriado); e terá, por todo o resto de sua existência o "trono de seu Pai" o AMADO (David).

Vimos (pág. 2 - vide msgs anteriores) que Deus (o AMOR) se manifesta como o Verbo Criador (o AMANTE) e como o Criado, o Filho (o AMADO). Ora, o EU Supremo, que é a individualização de um Raio-Divino, isto é, o "Filho do Cristo" (o AMADO), pode ser, por isso, chamado "filho do Amado" ou "filho de David".

Seu reino não terá fim sobre a casa de Jacob. Jacob significa "o que suplanta" (ou "o que segura pelo calcanhar"). Exprime, então, a personalidade, que durante milênios "suplanta" a individualidade abafando-a totalmente. Quando JESUS surge, ele assume o trono de David, e reina sobre a "casa de Jacob" sem fim, isto é, nunca mais a individualidade sofrerá o domínio da personalidade.


34. Então Maria perguntou ao anjo: “como será isso, uma vez que não conheço homem”?

35. Respondeu-lhe o anjo: “um espírito santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te envolverá com sua sombra; e por isso o nascituro será chamado santo, Filho de Deus.

36. Isabel, tua parenta, também ela concebeu um filho na sua velhice, e já está no sexto
mês aquela que era chamada estéril,

37. porque, vindo de Deus nada será impossível”.

38. Disse Maria: “Eis aqui a escrava do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra”.
E o anjo retirou-se.


A pergunta de Maria difere da de Zacarias. O sacerdote pergunta: "como saberei que isto é verdade"?, o que exprime dúvida a respeito das afirmativas de Gabriel. Maria indaga: "Como se dará isso, se não conheço homem"? O que constitui um pedido de explicação: ela crê verdadeiras as palavras, mas deseja saber o modo de agir para resolver o caso.

"Conhecer homem ou mulher" é eufemismo usado entre os judeus para designar as relações sexuais, empregando-se o vocábulo ãôé (NOTA: Por falta de "fonte" no idioma grego, o Word não transcreveu a palavra como consta no original que poderá ser consultado na Seção "Arquivos" deste Grupo, em PDF. -Nota do Moderador do Grupo, Ruach Kadosch). Maria, jovem noiva, não tinha ainda (por isso usa o presente do indicativo: "não tenho") comércio sexual. E Gabriel parece esclarecer que a concepção se deverá dar de imediato, sem esperar que o casamento se realize.

O anjo explica que ela conceberá um espírito santo (já santificado). Em grego, aqui também não aparece o artigo, denotando a indeterminação: UM, espírito santo. Esse espírito santificado descerá sobre ela (Ŭðåëåŭóåôáé do verbo ŬðŬñ.ïµáé - Vide Nota anterior) e acrescenta que "a força ou poder do Altíssimo a envolverá com sua sombra". Parece uma alusão clara à shekinah da mística judaica. Nesses casos, qualquer contato sexual, mesmo fora do casamento, será abençoado. Deus não está sujeito às leis "humanas", nem das sociedades nem dos Estados. O casamento é um ato instituído pelos homens, a fim de evitar abusos e manter organizada a humanidade. Mas Deus simplesmente criou as plantas, animais e homens dotados de sexo para que se unissem, produzindo filhos, a fim de que Sua obra não perecesse: Qualquer restrição é humana e não divina. No caso em apreço, isso está claro. Tanto assim que, mesmo fora do casamento Maria receberá, em seu ventre, um espírito santo, que será chamado Filho de Deus.

E logo a seguir acrescenta, a título de comprovação, que Isabel, parenta de Maria (não se sabe qual o grau de parentesco) também terá um filho, apesar da idade e de ter sido estéril, já estando no sexto mês de gravidez.

E aduz: "vindo de Deus, nada é impossível". A expressão do texto original: "nenhuma palavra" (ðÜíñŜµá - Vide Nota anterior) é o equivalente do hebraico dàbâr (ãëã - Vide Nota anterior, substituindo grego por hebraico), que tem muitas vezes (cfr. Gên. 18:14) o sentido de "coisa". Ora, "nenhuma coisa" é o mesmo que "nada".

A resposta de Maria é uma aceitação plena, uma conformação total: "eis a escrava (äïõëç - Vide Nota anterior) do Senhor".

E mais: "faça-se em mim conforme dizes". A expressão "faça-se" (ãŬíïéôï - Vide Nota) é muito mais forte que o ãåõçèŜôï (Vide Nota) usado no "Pai Nosso" (Mat. 6:10). Neste, exprime-se o desejo de que "se faça", mas deixando livre quanto à época em que se realize. No caso presente, o "faça-se" de Maria expressa o desejo e quase a ordem de que se faça já.

Cumprida a missão, o anjo retirou-se.

A própria intuição, sobretudo levada pelo intelecto, supõe e deseja que alguém lhe dê a iniciação. Espera o milagre, certa de que o grande encontro se realizará por meio de uma palavra mágica ou de um gesto cabalístico, com um rito exótico. Essa é a estranheza manifestada por Maria (simbolizando a intuição) quando diz que "não conhece homem", que não está em contato com um iniciado ou adepto.

O "homem de Deus" (Gabriel) esclarece (por omissão) que não é disso que se trata: que não há homem que possa resolver esse caso. O Espírito Santo que está dentro dela ("o Senhor é contigo"), é que se manifestará, e ela será envolvida por sua sombra. Trata-se da "shekinah", tão conhecida pela mística judaica.

Todas as experiências do encontro com o EU Supremo (segundo o testemunho dos que o conseguiram, em qualquer das correntes religiosas), tem um ponto em comum: a criatura se sente envolvida por intensa luminosidade, que é comparada a um relâmpago, a um incêndio, enquanto ela mesma se expande ao infinito, mergulhando e desfazendo-se na luz. O mergulho na luz é a descida da "shekinah".

Por essa razão, o "homem novo" que daí nasce é chamado "Santo, Filho de Deus".

Para incentivá-la a dar o último passo, Gabriel cita-lhe o exemplo de Isabel, sua parenta (ou seja, de todos os seres, parentes nossos, que atingiram o grau de "adoradores de Deus" - Elisheba), que se encontra no mesmo ponto evolutivo, no penúltimo degrau, "no sexto mês", aguardando a iluminação, embora desta ninguém mais esperasse nada, pois não era julgada capaz de consegui-lo, após tantos anos de tentativas infrutíferas (esterilidade). E como coroamento, conclui: "nada é impossível a Deus".

Vencida e convencida, Maria submete-se com máxima humildade à vontade divina. A humildade real, na qual a criatura se entrega qual escrava para obedecer em tudo e sempre, sem reconhecer nenhum direito para si, é o caminho único que leva ao encontro com o EU profundo.

Mas essa humildade precisa querer que se realize o ato, precisa entregar-se total e plenamente, sem condições nem reservas. Isto porque, embora sendo, como é, a causa de tudo, Deus é a humildade máxima: jamais se mostra, jamais assina Suas obras, jamais pede retribuição de nenhum dos benefícios prestados, e Sua vida toda se resume em SERVIR a todos, dando tudo de graça, sem distinção alguma de pessoas.

Por isso, quando a criatura atinge o grau de perfeita humildade, encontra Deus em si, por sintonia vibratória, e passa a viver UM com DEUS.

Isso mesmo ocorreu com Maria: no momento em que se conformou plenamente com a vontade do Pai, aniquilando a sua vontade pequenina, anulando sua personalidade, nesse momento concebeu JESUS, encontrou DENTRO DE SI (em seu coração) o Filho de Deus, o CRISTO, que nasceu virginalmente, ou seja, sem obra nem intervenção de homem.

Esse o sublime simbolismo que aprendemos desse trecho de Lucas, deduzindo-o dos fatos reais, que ocorreram na Palestina há quase dois mil anos. Lições de inestimável valor para nosso aprendizado.

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*msg 006/ - Anúncio a Maria (Lc. 1:26-38) - Obra "Sabedoria do Evangelho", Vol. l págs. 37 a 42, de autoria do teólogo e ex-padre católico, Dr. Carlos Juliano Torres Pastorino.
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**Obs.: Vc encontra a Obra completa deste autor, em Word (sem ilustrações) e em PDF (com belíssimas ilustrações gráficas), na seção "ARQUIVOS" deste Grupo. Para entrar nesta Seção é necessário usar sua ID (identificação) e Senha do Yahoo! Se vc ainda não possui, faça a sua. É fácil! Vale a pena baixá-los para o seu computador! Vá até este endereço: http://br.groups.yahoo.com/group/Sabedoria-do-Evangelho/ , onde vc tb poderá acessar as "mensagens anteriores"desta série. Se você ainda não é associado ao Grupo, associe-se: Sabedoria-do-Evangelho-subscribe@yahoogrupos.com.br .E boa pesquisa! E bom estudo!

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matéria recebida do grupo acima por e-mail em 10/12/04

23 de novembro de 2004

Notícias de Maria, A Mãe de Jesus

Todas as religiões cristães reverenciam, com extremado carinho e profunda gratidão, a figura ímpar de Maria de Nazaré, a sublime mãe de Jesus.
No Espiritismo - doutrina que se assenta em bases científicas, filosóficas e religiosas, sendo que, nesta última, como Cristianismo redivivo, caracteriza o Consolador prometido por Jesus - também aprendemos a reconhecer em Maria uma Entidade evoluidíssima, que já havia conquistado, há 2000 anos, elevadas virtudes, tornando-a apta a desempenhar na crosta terrestre tão elevada missão, recebendo em seus braços o Emissário de Deus que se fez menino para se transformar "no modelo da perfeição moral que a Humanidade pode pretender sobre a Terra." (1)

Além do que se conhece nas antigas tradições religiosas, especialmente no Novo Testamento, encontramos na literatura espírita outros importantes dados biográficos de Maria, que vieram até nós por via mediúnica, naturalmente extraídos de arquivos fidedignos do Mundo Espiritual, revelando-nos que Ela continua até hoje zelando com muito carinho pela Humanidade terrestre, encarnada e desencarnada.

PREPARATIVOS E INÍCIO DA MISSÃO

Conta-nos Emmanuel que, precedendo a vinda de Jesus, entidades angélicas se movimentaram, tomando vastas e importantes providências no Plano Espiritual.
"Escolhem-se os instrutores, os precursores imediatos, os auxiliares divinos. Uma atividade única registra-se, então, nas esferas mais próximas do planta, (...)."
Com a chegada do Mestre "a manjedoura assinalava o ponto inicial da lição salvadora do Cristo, como a dizer que a humildade representa a chave de todas as virtudes. (...) Debalde os escritores materialistas de todos os tempos, vulgarizaram o grande acontecimento, ironizando os altos fenômenos mediúnicos que o precederam. As figuras de Simeão, Ana, Isabel, João Batista, José, bem como a personalidade sublimada de Maria, têm sido muitas vezes objeto de observações injustas e maliciosas; mas a realidade é que somente com o concurso daqueles mensageiros da Boa Nova, portadores da contribuição de fervor, crença e vida, poderia Jesus lançar na Terra os fundamentos da verdade inabalável." (2)

PRIMEIROS TEMPOS, DRAMA DO CALVÁRIO E MUDANÇA PARA ÉFESO

O Espírito de Humberto de Campos narra, num de seus livros, a importante visita que Isabel e seu filho João batista fizeram ao lar de Jesus, em Nazaré, propiciando oportuno encontro entre as duas crianças que revolucionariam o Mundo...
O diálogo entre as duas primas é muito significativo, revelando-se perfeitamente preparadas para a sublime tarefa, como veremos neste pequeno trecho:
" - O que me espanta - dizia Isabel com caricioso sorriso - é o temperamento de João, dado às mais fundas meditações, apesar da sua pouca idade.
(...) - Essas crianças, a meu ver - respondeu-lhe Maria, intensificando o brilho de seus olhos - , trazem para a Humanidade a luz divina de um caminho novo. Meu filho também é assim, envolvendo-me o coração numa atmosfera de incessantes cuidados. Por vezes, vou encontrá-lo a sós, junto das águas, e, de outras, em conversação profunda com os viajantes que demandam a Samaria ou as aldeias mais distantes, nas adjacências do lado. Quase sempre, surpreendo-lhe a palavra caridosa que dirige às lavadeiras, aos transeuntes, aos mendigos sofredores... Fala de sua comunhão com Deus com uma eloquência que nunca encontrei nas observações dos nossos doutores e, constantemente, ando a cismar, em relação ao seu destino."
Nesse mesmo livro, Humberto de Campos dedica o derradeiro capítulo a Maria, descrevendo as suas impressões íntimas diante do Filho crucificado... a sua curta estadia em Batanéia.... a mudança, com João Evangelhista, para Éfeso, onde "estabeleceriam um pouco e refúgio aos desamparados, ensinariam as verdades do Evangelho a todos os espíritos de boa vontade e, como mãe e filho, iniciariam uma nova era de amor, na comunidade universal."

De fato, "a casa de João, ao cabo de algumas semanaas, se transformou num ponto de assembléias adoráveis (...) Maria externava as suas lembranças. Falava dele com maternal enternecimento, enquanto o apóstolo comentava as verdades evangélicas, apreciando os ensinos recebidos. E não foi tio singelo e generoso. (...) Sua choupana era, então, conhecida pelo nome de 'Casa da Santíssima'. (...) Eram velhos trôpegos e desenganados do mundo, que lhe vinham ouvir as palavras confortadoras e afetuosas, enfermos que invocavam a sua proteção, mães infortunadas que pediam a benção de seu carinho." (3)

LUCAS RECEBE INFORMAÇÕES DE MARIA
PARA FUNDAMENTAR O SEU EVANGELHO

Segundo narrativa de Emmanuel, o Apóstolo Paulo, ao visitar Éfeso, atendendo insistentes chamados de João, para promover a fundação definitiva da igreja cristã naquela cidade, "com delicadeza extrema, visitou a Mãe de Jesus na sua casinha singela, que dava para o mar. Impressionou-se fortemente com a humildade daquela criatura simples e amorosa, que mais se assemelhava a um anjo vestido de mulher. Paulo de Tarso interessou-se pelas suas narrativas cariciosas, a respeito da noite do nascimento do Mestre, gravou no íntimo suas divinas impressões e prometeu voltar na primeira oportunidade, a fim de recolher os dados indispensáveis ao Evangelho que pretendia escrever para os cristãos do futuro. Maria colocou-se à sua disposição, com grande alegria."

Numa próxima viagem, a caminho da Palestina pela última vez, Paulo de Tarso também passou, rapidamente, por Éfeso e "a própria Maria, avançada em anos, acorrera de longe em companhia de João e outros discípulos, para levar uma palvra de amor ao paladino intimorato do Evangelho de seu Filho."

E mais tarde, quando o Apóstolo dos gentios esteve preso, por dois anos, em Cesaréia, aproveitou esse período para manter relações constantes com as suas igrejas. "A esse tempo, o ex-doutor de Jerusalém chamou a atenção de Lucas para o velho projeto de escrever uma biografia de Jesus, valendo-se das informações de Maria; lamentou não poder ir a Éfeso, incumbindo-o desse trabalho, que reputava de capital importância para os adeptos do cristianismo. O médico amigo satisfez-lhe integralmente o desejo, legando à posteridade o precioso relato da vida do Mestre, rico de luzes e esperanças divinas." (5)

A DESENCARNAÇÃO E SEU
PRIMEIRO TRABALHO NO MUNDO MAIOR

A dedsencarnação de Maria, assistida por Jesus, é descrita pormenorizadamente por humberto de Campos, no final do último capítulo do livro referido anteriormente. Segundo ele, ao libertar-se do vaso físico, Ela desejou, primeiramente, rever a Galiléia e logo em seguida visitou os cárceres sombrios de Roma, repletos de discípulos do Mestre que aguardavam a morte certa, quando lhes infundiu a força da alegria cristã, transmitindo a seguinte sugestão a uma jovem encarcerada:

" - Canta, minha filha! Tenhamos bom ânimo!.... Convertemos as nossas dores da Terra em alegrias para o Céu!..."

(...) Logo, a caravana majestosa conduziu ao Reino do Mestre a bendita entre as mulheres e, desde esse dia, nos tormentos mais duros, os discípulos de Jesus têm cantado na Terra, exprimindo o seu bom ânimo e a sua alegria, guardando a suave herança de nossa mãe Santíssima." (4)

OUTROS TRABALHOS NO MAIS ALÉM

Em belíssima e comovente poesia, intitulada "Retrato de Mãe", Maria Dolores descreve a assistência maternal e efetiva prestada pelo Espírito de Maria a Judas, que se encontrava em região umbralina, cego e solitário, muito tempo depois da crucificação do Mestre.

No final do diálogo com o discípulo suicida, em grande sofrimento preso a terrível remorso, a Benfeitora convence-o argumentando com profundo amor:

"Amo-te, filho meu, amo-te e quero
Ver-te, de novo, a vida
Maravilhosamente revestida
De paz e luz, de fé e elevação...
Virás comigo à Terra,
Perderás, pouco a pouco, o ânimo violento,
Terás o coração
Nas águas de bendito esquecimento,
Numa nova exist~encia de esperança,
Levar-te-ei comigo
A remansoso abrigo,
Dar-te-ei outra mãe! Pensa e descansa!...

E Judas, neste instante,
Como quem olvidasse a própria dor gigante
ou como quem se desagarra
De pesadelo at´roz,
Perguntou: - quem sois vós
Que me falais assim, sabendo-me traidor?
Sois divina divina, irradiando amor
Ou anjo celestial de quem pressinto a luz?!

No entanto, ela a fitá-lo, frente a frente,
Respondeu simplesmente:
- Meu filho, eu sou Maria, sou a mãe de Jesus." (6)

No livro mediúnico Memórias de um Suicida inteiramo-nos da notável e completa assistência aos suicidas, em profundo sofrimento no Além , pela Legião dos Servos de Maria, "chefiada pelo grande Espírito Maria de Nazaré, ser angélico e sublime que na Terra mereceu a missão honrosa de seguir, com solicitudes maternais, Aquele que foi o redentor dos homens!"

Um setor muito importante da assistência aos suicidas é a Cidade Universitária, que abriga as entidades com alta do departamento Hospitalar e, naturalmente, aptas para frequentá-la. O diretor dessa Cidade, Irmão Sóstenes ao receber um novo grupo de aprendizes, assim explicou-lhes a sua origem: "Maria, sob o beneplácito de seu Augusto Filho, ordenou sua criação para que vos fosse proporcionada ocasião de preparativos honrosos para a reabilitação indispensável. Encontrareis no seu amor de mãe sustentáculo sublime para vencerdes o negror dos erros que vos afastaram das pegadas do Grande Mestre a quem deveis antes amor e obediência! Espero que sabereis compreender com inteligência as vossas próprias necessidades..."

Em outro passo da obra, um Mentor esclareceu: "Geralmente, porém, os avisos e as ordens vê de Mais Alto... de lá, onde paira a assistência magnânima da piedosa Mãe da Humanidade, a Governadora de nossa Legião... Se as entidades em apreço não pertencem à sua tutela direta de Guardiã, poderá o Guardião da falange ou da legião a que pertencerem impetrar o seu favor em prol dos transviados, seu amoroso concurso para o alvo a ser colimado, porquanto existe fraterna solidariedade de entre as várias agremiações do universo Sideral, infinitamente mais perfeitas que as existentes entre as nações físico-terrenas... (...) No entanto, se a outro eminente Espírito for dirigida a súplica, será esta encaminhada a Maria e seguir-se-ão as mesmas providências, pois, como vimos afirmando, é Maria a sublime acolhedora dos réprobos que se arrojaram aos temerosos abismos da morte voluntária.... Tudo isso, porém, não quererá certaente dizer que nossa Excelsa Diretora precisará esperar súplicas e pedidos de quem quer que seja a fim de tomar suas caridosas providências! Ao contrário, estas foram perenemente tomadas, com a manutenção dos postos de observação e socorro especiais para suicidas;"

Ao apresentar o destacado educador Aníbal aos novos alunos, IrmãoSóstenes prestou-lhes importante informação, nestes termos: "(...) É que Aníbal vinha sendo, para isso, preprado desde eras afastadas! (...) ... Até que um dia, glorioso para o seu Espírito de servo fiel e amoroso, ordem direta desceu das altas esferas de luz, como graça concedida por tantos séculos de abnegação e amor: ' - Vai, Aníbal.... e dá dos teus labores à Legião de Minha Mãe! Socorre com Meus ensinamentos, que tanto prezas, os que mais destituídos de luzes e de forças encontrares, confiados aos teus cuidados... Pensa, de preferência, naqueles cujas mentes hão desfalecido sob as penalidades do su´cídio... Entreguei-os, de há muito, à direção de Minha Mãe, porque só a inspiração maternal será bastante caridosa para erguê-los para Deus!" (7)

Quando da visita de estudos sobre a lei de causa e efeito ao Templo da "Mansão Paz", importante instituto de reajuste localizado nas regiões inferiores, os Espíritos Andr´´e Luiz e Hilário colheram valiosas observações. Ao analisarem o caso de uma veneranda senhora que orava fervorosamente, invocando a proteção de Mãe Santíssima pelos filhos transviados, receberam do instrutor Silas a seguinte elucidação: " - Isso, contudo, não significa que a prece esteja sendo respondida por ela mesma. Petições semelhantes a esta elevam-se a planos superiores e aí são acolhidos pelos emissários da Virgem de Nazaret, a fim de serem examinadas e atendidas, conforme o critério da verdadeira sabedoria." (8)

RETRATO DE MARIA

Algum tempo após tomarmos conhecimento de um novo quadro de Maria, a Mãe de Jesus, divulgado num programa daTV Record, de São Paulo, com a presença de Francisco Cândido Xavier, procuramos esse médium amigo para colher dele maiores esclarecimentos sobre a origem do mesmo.

Contou-nos, então, Chico Xavier, no final da reunião pública do Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, na noite de 1º de dezembro de 1984, que com vistas às homenagens do Dia das Mães de 1984, o Espírito ao fotógrafo Vicente Avela, de São Paulo. Esse trabalho artístico foi sendo realizado aos poucos, desde meados de 1983, com retoques sucessivos realizados pela grande habilidade de Vicente, em mais de vinte contatos com médium mineiro, na Capital paulista.

Em nossa rápida entrevista, Chico frisou que a fisionomia de Maria, assim retratada, revela tal qual Ela é conhecida quando de Suas visitas às esferas espirituais mais próximas e pertubadas da crista terrestre; como, por exemplo, disse-nos ele, na Legião dos Servos de Maria, grande instituição de amparo aos suicidas detalhadamente no livro Memórias de um Suicida, recebido mediunicamente por Yvone A. Pereira.

E, ao final do diálogo fraterno, atendendo nosso pedido, Chico forneceu-nos o endereço do fotógrafo-artista, para que pudéssemos entrevistá-lo oportunamente, podendo assim registrar mais algum detalhe do belo trabalho realizado.

De fato, meses após essa entrevista, tivemos o prazer de conhecer o sr. Vicente Avela, em seu próprio ateliê, há 30 anos localizado na Rua Conselheiro Crispiniano, 343, 2º andar, na Capital paulista, onde nos recebeu atenciosamente.

Confirmando as informações do médium de Uberaba ele apenas destacou que, de fato, não houve pintura e sim um trabalho basicamente fotográfico, fruto de retoques num retrato falado inicial, tudo sob a orientação mediúnica de Chico Xavier.

Quando o sr. Vicente concluiu a tarefa, com a arte final em pequena foto branco-e-preto, ele a amplicou bastante e coloriu-a com tinta a óleo (trabalho em que é perito, com experiência adquirida na época em que não havia filmes coloridos e as fotos em preto-e-branco eram coloridas a mão.), dando origem à tela que foi divulgada.

Nesse encontro fraterno, também conhecemos o lindo quadro original à vista emparede de seu escritório, e ao despedirmo-nos, reconhecidos pela atenção, o parabenizamos por esse árduo e excelente trabalho, representando mais uma notícia da vida espiritual de Maria de Nazaré, que continua amparando com imenso amor maternal a Humanidade inteira.

Bibliografia: Anuário Espírita 1986 - Instituto de Difusão Espírita - IDE